“3%” | Elogiada em vários países,”3%”, primeira série brasileira da Netflix não teve a mesma aceitação no Brasil


Sem grande repercussão por aqui, produto feito para a Netflix é uma crítica ao “lado sinistro da democracia”

Embora muito elogiada pela crítica em de diversos países e pela diretoria da Netflix, “3%”, primeira série da Netflix produzida no Brasil não teve a mesma aceitação em seu país de origem.

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Lançada em novembro de 2016, a série de ficção científica “3%” , foi a primeira produção totalmente brasileira na produzida pela gigante de streaming.

A trama, estrelada por João Miguel e Bianca Comparato, retrata um Brasil pós-apocalíptico. A única porta de saída é uma competição chamada “Processo”, da qual os jovens podem participar ao completar 20 anos. O prêmio para os 3% mais bem-sucedidos na disputa é o direito de viver em Mar Alto, oásis livre da fome, da sede e da falta de energia.

Apesar da boa recepção internacional, em território nacional a série não inspirou simpatia. Ao contrário: “constrangedora”, “mambembe” e “capenga” são alguns dos adjetivos mais elogiosos conferidos pela crítica.

Apesar de a Netflix não divulgar dados de audiência, é visível que a repercussão de “3%” junto ao público brasileiro passou longe daquela alcançada por produções estrangeiras como “13 Reasons Why”, “House of Cards” e até mesmo de Narcos, sua prima latino-americana estrelada por Wagner Moura.

Diferentemente do acontecido na imprensa brasileira, um artigo publicado ontem pelo site da revista New Yorker trata a produção de maneira extremamente positiva.

Segundo a publicação, “Ao curso de oito episódios, a série se provou mais sombria e áspera do que eu esperava. Trata-se de uma obra que ressoa, de formas desconfortáveis, o nosso presente distópico americano”, escreve Jiayang Fan, autora do texto. E arremata: “‘3%’ não está interessada apenas em constatar o óbvio. Ao contrário, oferece, em ritmo de thriller, um retrato do moralmente complicado processo de tentar, sem precisão científica, criar uma sociedade mais sensata”.

Jiayang Fan não foi a única que gostou. Em carta a seus investidores, a Netflix destacou “3%” e afirmou que a produção conquistou “milhões”, – sem explicitar quantos exatamente – de espectadores nos Estados Unidos. Proclamou-a como “a primeira série em português a viajar significativamente além da América Latina e de Portugal”.

O reconhecimento de “3%” como produto “tipo exportação” se deve, ainda, a mais um outro fator: o conjuntura política dos Estados Unidos. Como defende Fan, o ponto central de “3%” — uma crítica ao “lado sinistro da meritocracia” — fala muito àqueles que vivem a contragosto a Era Trump.

“Não é coincidência que São Paulo, onde “3 % “Foi filmado, consistentemente se classifica entre as cidades mais desiguais do mundo, ou que o Brasil como um todo está atormentado pelo tipo de corrupção e políticas públicas abissais que reforçam a hierarquia extrema do país de ricos e pobres. Os ricos atravessam os céus em jactos privados, enquanto os pobres lutam em favelas, as favelas que passaram a simbolizar a cidade empobrecida. É o tipo de disparidade que é jogado em vários graus em todo o mundo nas últimas décadas, não menos nos EUA, onde aqueles no topo um por cento ganham uma média de mais de um milhão de dólares por ano”.

Apesar de sermos um dos maiores países consumidores de séries do mundo, parece que a desvalorização de produções nacionais como sempre aconteceu com o cinema se personifica também nas séries produzidas no Brasil, que mesmo com o apoio da Netflix, ainda sofre com a visão preconceituosa não somente do publico, mas também da imprensa especializa.

Leia mais em: MIX OU MISTO

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